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UFPA pede perdão às vítimas da Ditadura Militar

No último dia 1° de abril foi realizado no Centro de Convenções da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, o “III Seminário 1964: 51 anos depois” e Sessão Solene do Conselho Universitário da UFPA (Consun) que teve como foco principal o ato de desagravo público aos professores, técnicos e estudantes que tiveram os direitos violados na instituição entre 1964 e 1985, período da Ditadura Militar no Brasil. 

O evento foi concebido e realizado sob a coordenação da professora Edilza Fontes, presidente da Comissão César Leite de Memória e Verdade da UFPA e coordenadora do projeto “A UFPA e os Anos de Chumbo”, voltado à recuperação, registro e disponibilização de documentos, fotografias e jornais do período do regime militar no Pará, e à produção de entrevistas em profundidade em vídeo com diversos atores que vivenciaram esse período. Todo o acervo audiovisual produzido pelo projeto está disponível para livre acesso no repositório institucional UFPA Multimídia e foi desenvolvido em parceria com a equipe da Assessoria de Educação à Distância (AEDi) da UFPA, por meio do Laboratório de Pesquisa e Experimentação em Multimídia. 

Seminário – Para abrir a programação do evento foi realizada uma rápida sessão de abertura, presidida pela professora Edilza Fontes, na qual estiveram presentes representantes da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), da Comissão Camponesa Estadual, do Diretório Central dos Estudantes (DCE), do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (Sindtifes) e ainda Paulo Fonteles Filho e a palestrante convidada, professora Mônica Grin, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “É importante manter a memória dos fatos tanto para os que sofreram com a Ditadura na UFPA quanto para as gerações posteriores”, destacou Edilza Fontes.

“Experiências de justiça de transição e o direito ao ressentimento: vítimas do Holocausto e vítimas do Apartheid” foi o título da palestra ministrada pela professora Mônica Grin, do Programa de Pós-Graduação em História Social da UFRJ. Na sequência, foi composta a segunda mesa do evento, da qual fizeram parte o professor e pró-reitor de Relações Internacionais da UFPA, Flávio Nassar; Paulo Roberto Ferreira, como representante do Senador Paulo Rocha; representantes dos técnicos administrativos que fazem parte da Comissão César Leite de Memória e Verdade; e Sandra Leite, irmã do estudante César Leite, assassinado na UFPA em 1980, no Bloco F, por um agente infiltrado da Ditadura Militar. 

Na ocasião, o professor Flávio Nassar apresentou ao público o projeto para a criação do Centro de Memória “César Moraes Leite” na Universidade. Para Sandra Leite, o Centro “é um ato de resistência e a comprovação de que a repressão não pode voltar”. 

Desagravo – A Sessão Solene para o pedido de perdão oficial foi presidida pelo professor Carlos Edilson Maneschy, reitor da UFPA. A mesa para o ato público foi composta ainda pelo professor Horácio Schneider, vice-reitor da UFPA; o deputado Carlos Bordalo, representante da Alepa; Sandra Batista, representante da Câmara dos Vereadores; Camillo Duarte e Orlando Silva, professores aposentados compulsoriamente pela UFPA por meio do Ato Institucional número 5 (AI-5), de 1968; e professor Flávio Salles, representando os 44 entrevistados pelo projeto “A UFPA e os Anos de Chumbo”. 

Durante a Sessão foi entregue a declaração oficial de pedido de perdão às 27 pessoas que comprovadamente tiveram seus direitos desrespeitados pela UFPA entre 1964 e 1985, como Alberto Puty, Aluizio Leal, Carlos Teles da Costa, João de Jesus Paes Loureiro, Pedro Galvão de Lima e Roberto Corrêa. Para o professor Flávio Salles, o desagravo da UFPA “reconstitui para a Universidade o seu lugar de livre pensamento”. 

Os membros da Comissão César Leite de Memória e Verdade seguem agora em busca de documentos oficiais capazes de comprovar as violações dos direitos de outros professores, técnicos e estudantes na Universidade.