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AEDi-UFPA comemora o Dia Nacional da EaD com história de conquistas

AEDi-UFPA comemora o Dia Nacional da EaD com história de conquistas

Como democratizar o acesso à educação em uma região marcada pelo isolamento, com precárias condições de transporte entre os municípios? Um desafio encarado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) que enxergou na educação a distância, ainda na década de 1990, a possibilidade de transpor essas barreiras tornando-se uma das referências na Amazônia. Portanto, no Dia Nacional da Educação a Distância, comemorado no próximo dia 27, há muito o que comemorar.

O primeiro curso a distância oferecido pela UFPA foi o de especialização em Planejamento e Gestão do Desenvolvimento Regional, o Planear, elaborado pela professora Joaquina Barata e executado a partir de 1997 com poucos recursos, sem políticas públicas voltadas para esse tipo de ensino e infraestrutura deficiente. Nas mesmas condições foi implementada, ao final da década de 1990 e início dos anos 2000, a primeira graduação a distância de Licenciatura em Matemática do Brasil, buscando reverter a estatística da época em que a cada 100 jovens entre 18 e 24 anos na Amazônia, apenas um ingressava em curso superior. Ao todo, 16 municípios aderiram ao projeto.

A proposta para implementar o curso de Matemática gratuito foi aceita mesmo após algumas resistências por tratar-se de um conhecimento universal, útil para diferentes realidades, portanto um ponto de partida para a realização de um sonho de transformação social. A partir daí, materiais didáticos foram enviados para os mais diversos municípios paraenses e os estudantes recebiam ainda o auxílio dos tutores presentes nas comunidades.

“Creio que nós fomos os pioneiros na educação a distância no Pará. E foi a UFPA que deu o apoio à Universidade do Estado do Pará e ao Amapá para entrarem na educação a distância”, conta o professor José Miguel Martins Veloso, assessor de educação a distância da UFPA e coordenador regional da Universidade Aberta do Brasil (UAB). No entanto, a UFPA ainda não contava nesse período com o apoio do Governo Federal, tendo que arcar com as despesas com recursos próprios em parceria com as prefeituras dos municípios.

Incentivos

Foi só a partir do ano de 2006 que os primeiros apoios governamentais começaram a ser implantados, com o lançamento da UAB, pelo Ministério da Educação, e os editais Pró-Licenciatura. Com a parceria da UAB, a UFPA passou a ofertar também o curso de Bacharelado em Administração Pública além de outros cursos de licenciatura como Física, Química e Letras. A modalidade cresceu tanto que em 2009 a Assessoria de Educação a Distância (AEDi-UFPA), implementada dois anos antes, ganhou um prédio no Campus Básico para o desenvolvimento das atividades de ensino superior a distância.

Ao longo desses anos, milhares de alunos já receberam diplomas de ensino superior na modalidade a distância, que, seguindo o fluxo de transformações tecnológicas e comunicacionais no país, passou do aprendizado por correspondência para o multimidiático, ampliando o campo e as possibilidades de atuação. Essa história, que compõe a própria trajetória da educação a distância no Brasil, foi contada no documentário “Educação a Distância na Amazônia: trajetória e perspectivas da educação a distância da UFPA”, que pode ser assistido aqui, e também no livro “Educação sem fronteiras na Amazônia”, publicado em 2010 pela AEDi-UFPA.

Breve história da EaD no Brasil

Um anúncio de jornal oferecendo curso por correspondência de datilografia. Foi assim que o Brasil, ainda no início do século XX, começou a ser inserido nas transformações educacionais que aos poucos se espalhavam pelo mundo. Por muitos anos, o rádio foi o principal responsável em oferecer os mais diversos cursos de formação a distância para as partes mais distantes e de difícil acesso do Brasil, como a própria Amazônia.

Ainda hoje, mesmo com a forte presença das novas tecnologias de informação e comunicação, a proposta iniciada em 1923 pela Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que depois se tornou a Rádio MEC, continua a fazer parte da realidade educacional de muitos brasileiros. Outra forte aliada na educação a distância no Brasil foi a televisão. Quem não lembra, por exemplo, do programa Telecurso 2000, concebido pela Fundação Roberto Marinho em parceria com Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)?

Uma das especificidades da EaD é a possibilidade de cada tecnologia nova complementar a anterior e não descartá-la, como ocorre em outras áreas. Por isso, desde o final do século XX e início do XXI, com o advento da internet e das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs), a educação a distância vem sendo fortalecida e permitindo cada vez mais o protagonismo do aluno no processo de aprendizagem, característica fundamental da modalidade. Atualmente são mais de 7 milhões de alunos matriculados em cursos de educação a distância no Brasil.